Sou desenvolvedor há cerca de quinze anos, mas nunca fui só desenvolvedor. Em algum momento cedo da carreira, percebi que escrever código sem entender pra quem e por que era um jeito rápido de construir coisa que ninguém usa. Desde então, UX e desenvolvimento de produto deixaram de ser áreas vizinhas e viraram parte de como eu trabalho. Eu programo pensando no usuário do outro lado e desenho produto pensando no que é viável construir.

Boa parte da minha carreira o trabalho era mais ou menos o mesmo: alguém me passava um problema, eu entendia, eu construía, eu entregava. Esse ciclo pagava as contas, ensinava ofício e dava uma certa sensação de que o jogo estava sob controle.

Não está mais.

O que significa programar está mudando, e está mudando rápido. A parte de execução pura, que era onde a maioria de nós morava, está virando commodity numa velocidade que ainda estamos processando. Quem fica perto do negócio, entende o porquê das coisas e tem alguma propriedade sobre o que constrói, segue relevante. Quem só executa, não. Talvez por isso a transição pra empreender pareça menos um salto e mais o próximo passo natural: já estou acostumado a pensar em produto inteiro, não em ticket isolado.

Esse blog é onde eu penso em voz alta sobre isso. Sobre o que muda na carreira de quem programa, sobre a interseção entre código, produto e experiência do usuário, sobre por que empreender deixou de ser ambição e virou resposta racional ao que está acontecendo, sobre as coisas que estou tentando, errando e aprendendo no caminho. Não tenho um manual pra te vender, e desconfio de quem tem.

Se isso ressoa de algum jeito, fica por aqui.

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Engenheiro de software há 15 anos escrevendo sobre carreira em tech, sobre o que separa quem constrói de quem só executa, e sobre por que empreender virou uma resposta racional para quem quer continuar fazendo um trabalho que importa.

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